sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Um paraíso para chamar de seu

Praia de Araçaípe - Foto: Renata Girodo



Já sabe o destino da sua próxima viagem?
Que tal conhecer Arraial D’Ajuda, um distrito de Porto Seguro, na Bahia.
Rústico e charmoso, o lugar reserva uma surpresa a cada esquina. Das suas belas e paradisíacas praias, a cantinhos pra lá de especiais que bombam à noite, como a Rua Mucugê, a Broadway e o Beco das Cores.
A gastronomia é um espetáculo à parte, com pratos para todos os gostos e bolsos. Se eu pudesse traduzir Arraial em uma única palavra seria: pluralidade.
Sim, a vila que apresenta uma população hospitaleira e simpática, além de natureza exuberante, tem passeio para quem quer relaxar e para os que preferem se aventurar em atividades mais radicais ou esportes náuticos.
Conheça todos os detalhes do lugar e apaixone-se!

Travessia de Balsa

Foto Renata Girodo
Para chegar a Arraial D’Ajuda é preciso atravessar de Balsa pelo Rio Buranhém. O trajeto demora de cinco a dez minutos. Este mesmo roteiro vale também para quem quer acessar a Praia do Espelho, Trancoso ou Caraíva.
A balsa funciona todos os dias da semana, 24 horas. No entanto, após a meia-noite, ela só sai de hora em hora. Antes desse período, a balsa transporta passageiros e pedestres a cada meia hora.
A travessia de pedestres custa R$5,00 por pessoa (valores do mês de setembro de 2019) – e o turista só paga de Porto Seguro para Arraial. No sentido contrário não tem custo.
Para automóveis, o valor é diferente. Vale uma consulta na cabine antes do embarque, porque os preços variam.

Praias
Tive a oportunidade de conhecer todas as praias de Arraial, recomendo a experiência se você gosta de desbravar novos lugares, e tem fôlego e disposição para boas caminhadas.
Veja a seguir:


Praia do Apaga Fogo
Foto Alex Alves de Souza

Ela fica bem do ladinho da balsa. É a primeira praia de Arraial. De lá, é possível avistar o continente (Porto Seguro) do outro lado.
Como é característica das praias do local, por conta dos recifes de corais, na maré baixa, formam-se piscinas naturais.
O destaque fica para o encontro do Rio Buranhém com o mar. Combinação perfeita para passar um tempo sem agito ou badalação. Alguns trechos são bem desertos, exceto na área do Arraial D’Ajuda Eco Parque, um parque aquático de fama internacional, com atividades para crianças e adultos.



Praia do Araçaípe
Foto Alex Alves de Souza

Quando resolvi ir para Arraial, quase não consegui achar vídeos recentes do local. E depois, pude descobrir o motivo. A praia fica na Estrada da Balsa, em uma entrada escondidinha, com uma placa quase apagada.
Grande parte dos frequentadores dessas águas são os moradores da região. Fiquei no Hotel Arraial do Sol, com entrada próxima para a praia, por isso, todos os dias dava uma passadinha por lá.
Na maré baixa, formam-se piscinas naturais. No primeiro dia, tivemos a sorte de pegar a maré muito baixa mesmo. Pudemos caminhar até um banco de areia, próximo a um imenso paredão de corais. Lá conseguimos ver diversas estrelas-do-mar e ouriços.
Cuidado com os ouriços, pois eles podem furar os pés, e acabar com o seu passeio. Para tirar os espinhos somente no Posto de Saúde. Na dúvida, evite pisar nos corais, principalmente quando não tiver visibilidade.
Nesse perímetro, não tem barraca de praia e nem infraestrutura. Portanto, se a ideia for passar um tempo por lá, vale levar a sua bebida e a sua comida.
Sempre lembrando de carregar todo o seu lixo. A natureza agradece!

Praia dos Pescadores
É a próxima logo depois de Aracaípe. Para chegar é preciso uma caminhada de uns 25 minutos na areia (dependendo do seu ritmo).
As características são as mesmas da praia citada anteriormente. Por pouco, você não consegue diferenciar onde termina uma e quando começa a outra, se não fosse a presença de alguns barquinhos coloridos que ficam atracados na região.



Mucugê
Foto Renata Girodo

Essa é a queridinha de quem gosta de badalação e quer ver gente, rs. É a praia que fica no centro da cidade, depois de descer uma ladeira íngreme. Quando fomos conhecê-la, chegamos a pé. De Araçaípe, demoramos em média quarenta minutos para chegar. O visual é muito bonito, com trechos de águas calmas, bom para a prática de caiaque (empresas alugam os equipamentos). No entanto, tem muita gente na areia e na água.
Ela oferece estrutura para quem deseja ficar de boa o dia todo. Indico para famílias com criança, que necessitam utilizar o banheiro e a ducha. Só é preciso ficar atento aos preços do cardápio que costumam ser mais salgados.
Antes de escolher o local, certifique-se que eles não cobram “consumação mínima” -, um termo muito comum usado em Arraial, Praia do Espelho e Trancoso.
A consumação mínima é um valor estipulado pelo estabelecimento, sendo tarifado por pessoa. Ou seja, para você usufruir dos serviços precisa consumir um valor X (bebidas, petiscos, almoço). Em baixa temporada, certas barracas abrem mão dessa cobrança, mas em alta temporada, o turista não tem escapatória. Na dúvida, pergunte.

Parracho
Fica depois da Mucugê, só que é bem mais vazia, e com poucas opções de barracas de praia. Preços inflacionados!

Pitinga
Foto Renata Girodo

Nos passaram a informação que algumas vans faziam o trajeto até Pitinga. Contudo, ao menos na Estrada da Balsa, paramos diversos veículos e todos eles tinham como destino final a Mucugê.
Dizem que se você for até a balsa, fica mais fácil conseguir quem te leve, mas preferimos não arriscar.
Os carros evitam fazer esse percurso porque o local para parada é estreito, com trechos que precisam andar de ré.
A saída foi pagar R$7,00, da Estrada da Balsa até a Praia Mucugê e, depois, ir andando. Fizemos uma caminhada de mais ou menos uma hora pela areia.
O visual é encantador, com falésias coloridas e muita natureza ao redor. Recomendo!
A Praia de Pitinga seria apenas uma passagem, a ideia era chegar até a Praia do Taípe, a última de Arraial.

Lagoa Azul
Foto Renata Girodo

Chegamos até a Barraca Lagoa Azul. Nesse ponto, o mar tem ondas mais fortes e alguns buracos, por isso, não achei recomendado para o banho. Como é bem distante da praia do centro, muita gente fica na Barraca Lagoa Azul para descansar e petiscar.
Além da praia, o funcionário do estabelecimento nos explicou que adentrando uma trilha de três minutos, daria acesso ao que restou da lagoa Azul, que dá nome a barraca. O entorno que já foi grandioso, hoje, conta com uma espécie de poço raso, com água de cor azulada.
Como não poderia deixar de ser, fiz um banho de argila colorida. A matéria-prima que promete rejuvenescer deixou a minha pele hidratada e sedosa. E o melhor, de graça! Quando se sujar faz bem...
Só fiquei chateada de como o lagoa recuou. Do jeito que a coisa está logo o lugar será somente uma lenda, abastecida pela imaginação popular.

Taípe
Foto Renata Girodo

Enfim, depois de andar a média de quatro quilômetros e meio, saindo da Praia de Mucugê, chegamos em Taípe. A mata preservada e as falésias imponentes são um deleite para os olhos e um alívio para as pernas cansadas, rs.
Nada melhor que um banho refrescante para comemorar. Só que as ondas não aliviam. O mar é mais revolto nesse trecho. Se valeu à pena a caminhada? Sim, certamente. Novas experiências são sempre bem-vindas para o meu currículo de viagens.
É importante salientar que todo o trajeto de uma praia a outra só pode ser feito quando a maré está baixando (são quatro horas esvaziando e quatro horas enchendo). De outra forma, você pode ficar preso na praia, sem ter como voltar, e no caso de Taípe (sem acesso à civilização). Veja na internet os sites que mostram a tábua de marés do dia, e calcule o tempo que vai demorar de um lugar a outro.
Durante a rota toda, andamos a média de nove quilômetros (ida e volta).

Dica:
Para apreciar as piscinas naturais escolha o seu período de viagem na lua nova ou lua cheia. Lembrando que o horário não é fixo. Muda sempre, com um diferencial de 40 minutos à frente, em relação ao dia anterior.
No próximo post, continuo falando da noite em Arraial D’Ajuda e do centro histórico.
Não perca!


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